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  • hanspeda

Procura-se um capitão



Em 15 anos de Corrida de Aventura, tive a honra de participar em mais de 100 provas (dentro e fora do Brasil), com várias equipes, compostas pelos mais diversos perfis de atletas. Formações em duplas e até mesmo solo costumam ser aceitas em circuitos estaduais e nacionais, no entanto, os quartetos mistos (obrigatoriamente uma pessoa do sexo oposto) sempre foram a formação clássica das Corridas de Aventura, sendo a única formação válida para as provas e ranking ARWS (circuito mundial).


Nesses 15 anos, pode-se dizer que houve um boom inicial (com poucas provas e uma média de 200 atletas inscritos), um longo período de altos e baixos com muitos organizadores e também atletas entrando e saindo da modalidade (ora pelas complicações para montar equipe, ora pela quantidade de equipamentos ou habilidades exigidas) e agora vivemos um período estável, com uma média de pouco mais de 100 atletas por prova e um calendário com mais de 1 prova por mês só na região sul do Brasil.


Em meados da década de 2000, era realmente difícil conseguir uma mulher para integrar um quarteto misto, inclusive, a piada da época (entre homens e mulheres), era que as mulheres eram mais um “equipamento obrigatório” da equipe. Meio sem graça hoje, mas mais sem graça ainda era o fato de que muitas equipes deixavam de correr provas pelo próprio preconceito de que um esporte praticado a noite, no meio do mato, com um monte de homens, era coisa só pra homens.


Aos poucos, as mulheres foram aderindo ao esporte, de modo que, num segundo momento, a dificuldade passou a ser conseguir um navegador para a equipe. Muitos atletas tinham interesse em iniciar ou os que já haviam iniciado, simplesmente dar continuidade e participar das provas, mas o compromisso de fazer o trabalho de orientação para as equipes, implicando na responsabilidade de não colocar ninguém numa roubada, acabava por afastar os atletas.


Não creio que isso já esteja totalmente resolvido ou que já exista uma quantidade ideal de navegadores, mas a situação não é mais tão crítica quando foi no passado recente. Se eu tivesse que arriscar um palpite do que é mais difícil conseguir hoje em dia é um bom “capitão de equipe”.


Não chamo de capitão aquele chato que acha que tem que mandar em todo mundo. Ao contrário, o verdadeiro capitão é aquele que chama a responsabilidade de ir atrás dos atletas, verificar se tá todo mundo treinando e equipado, fazer as inscrições e ajeitar a logística toda. Vez ou outra aparece um capitão motivado, mas o fato é que tem muito atleta bem folgado, que só fica esperando pra ser chamado e não contribui efetivamente para a construção de uma verdadeira equipe.


Se todos pensassem um pouco nisso e aceitassem o compromisso de dividir as tarefas da equipe, talvez não seria tão difícil manter um capitão motivado por mais do que uma ou duas temporadas.

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